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All Deviations


Ainda foram algumas as vezes que escrevi destes recados em vias de me despedir de tudo quando sei. A razão mantém-se a mesma. E eu continuo a questionar-me, que é o que torna impossível que venha isto alguma vez a ser lido por alguém que não eu, se valerá a pena reduzir-me a outra pessoa. Será a minha única razão de estar aqui a pulsar ou ter-me-á talvez furtado todas as outras, pelo contraste? Já que se isto tem algum objectivo para além do de me entreter, deverá ser escrito em total sinceridade, e, por isso, confesso que a resposta não é o que me leva a estes questionamentos, mas sim a sua noção. A aterradora ideia de estar dependente doutra pessoa, numa dependência não convencional, é claro, é o que me mantém pensante e, portanto, vivo. Haverá algo mais belo do que esta morte dum amante não correspondido? Mas eu sou muito mais do que isso, pois eu sou sobras do que houve de todos os românticos da minha raça, que é a de quem lê isto também. Eu vivi o amor como o expoente máximo da loucura humana ao desprezar tudo aquilo que há de importante e a ser louvado neste mundo. Difamei de deploráveis as questões pertinentes da nossa espécie quando não me era garantido o peito no qual eu recriava o mais gracioso gesto, ao suspender-lhe a cabeça e ao de leve uma mão. Quis lá saber das coisas que as pessoas me diziam para ter atenção e saber delas. Mandava-as todas à merda quando sentia o conchego do braço que se me enrolava nas costas e se aparecia de surpresa por trás do ombro, para mo aquecer e porque me desejava. Só que eras se foram e eras se vieram, mas estas mais agora chegadas logo lhes apanharam o trilho das outras que já tinham ido e deixaram-me nesta que talvez seja a última. Entre os mais puros e fluidos beijos, sempre sentidos, quando era o começo e o que sou agora esteve a distância e o ódio e o pecado e o crime, a traição e a dor infinita que me fez escrever mais destes recados a tudo o que conheço, (que se pensar bem acerca disso não há-de ser assim tanto, mas escrevo também é mais para me entreter, que já disse ser uma única pessoa, e não todas quanto conheço, a única razão por quem vivo) e o outra vez uma consagração física, e um ou outro olhar surdo no meio do público histérico lá para os festivais, e mais uns 8 meses para apurar o pó assentado, mas que viria a descobrir ainda completamente pairante, e por fim aquilo que nós dizíamos de amizade, apesar das satisfações mútuas, que somos carentes, ou o é o nosso corpo, de tanto estar privado. E eu sabia não ser mais do que isso, um consolo à carne sadia de mais de meio ano em repouso, sabia mas decidi não o sentir: foi-me como nos inícios. A minha entrega era total e em cada beijo renasci, e divinizei-me ao adormecer com a mais formosa das poses, que é uma aninhação natural do corpo e as faces ligeiramente encostadas, com os narizes paralelos e a tocarem-se, a sentirem e coordenarem a respiração que acalma depois do ofego. Só que estávamos só a dormir, depois de uma noite juntos que acabava num “foi óptimo, até à próxima”. E eu sabia-o, mas continuava a tentar iludir-me que havia algo novo, tentava senti-lo, e consegui mesmo. Então experimentei uma última vez o vício da felicidade que nos é o primeiro amor, muito mais do que isso este o foi, enfatizo, até ao momento em que não podia negar a realidade porque deixou de ser indefinida, e estava lá, por pouco não a esbarrei.

O mundo parou nesse momento, eu vi-me a passar por toda a minha vida numa perspectiva minimalista, que era a pessoa que já não me pertence. Nesse momento em que dou de caras com a realidade o meu olhar congela e a pressão orbital, por causa das lágrimas, torna-se terrível, obrigando-me massajá-los violentamente para a aliviar. Tento dar um passo mas o próprio asfalto não se descola dos meus pés, de lhe ter caído com tanta força – ele levanta-se, o chão, a cada passo que dou, e dá o mundo esse passo de companhia comigo, mas sou eu que o carrego, e como pesa… tanto. Começo a olhar em todas as direcções e focos de luzes e oiço perguntas e apelos de pessoas preocupadas que desprezo completamente na circunstância, enquanto ziguezagueio frenético até parar completamente como no início. Sinto o meu coração. Sinto-o mesmo, ele, no peito, as pulsações, estão arrítmicas e queimadas, e sento-me no chão, tão grave que todos notam a minha presença e se desviam, ainda com algum esforço, pois o meu centro gravitacional, de tão gravemente me ter sentado, como sugeri, suga tudo quanto há. Nesse momento a vida oferece-me sempre dois caminhos, mas desta vez o rumo da bifurcação será outro, haverá um terceiro.

Sou um clássico e morro por amor.
Ou, senão,
Desta vez,
Vingo-me por ele.
©2008 ~ironicon
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~Fear15:iconFear15: May 10, 2008, 3:30:26 AM
estou...sem palavras. =O

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"Forgive me, my Lord. There's blood on my hands and I'll never be able."